Promoção

A Sociedade Racionalista e o Bule Voador estão sorteando Ímpio este mês. Veja como participar neste link.

Meu irmão e os pastores-zumbi

Vários leitores notaram que não mencionei meu irmão no epílogo do livro. Não há nenhuma razão particular para isso, foi simplesmente um lapso mesmo – pretendo incluir um parágrafo sobre isso, quando houver (se houver) uma segunda edição.

À sua maneira, acho que ele vai bem. Meu irmão terminou o segundo grau num supletivo ano passado, vai tentar vestibular e talvez um concurso público. Por ora não está trabalhando, e usa seu tempo livre para divulgar a Palavra do Senhor e as Mais Hilárias Piadas por E-mail Que Você Recebeu Menos Vezes. E foi por e-mail que hoje recebi dele o vídeo abaixo:

Versão editada da entrevista no Jô

Alguém postou uma versão menor da minha entrevista ao Jô, com as partes que prestaram. Deu 2 minutos de 15, e acho que concordo:

Resenha no Bule Voador

O post original foi perdido numa mudança de servidor, por isso escrevo novamente. Eli Vieira, do Bule, fez uma resenha bastante positiva e com algo de confessional:

Se você quer entender o que é ser ateu no Brasil e em suas subculturas, os ‘quatro cavaleiros’ e seus pajens (Stenger, Onfray, Comte-Sponville, etc.) são de pouca ajuda. Se você, assim como eu, ficou com um pé atrás quando soube do livro do Marton, você está tão profundamente enganado quanto eu estive. Está sendo tão arrogante e idiota quanto eu fui. Porque o livro do Marton é, digo sinceramente, um galardão para todos nós.

Da vida de um gordinho nerd cavando túneis para Marte a um adulto capaz de uma prosa que vai de um divertido sarcasmo a uma sinceridade crua, demasiadamente humana, Marton nos ensina muito sobre a vida do evangélico que vota em Marcelo Crivella e comparece à Marcha da Família de Malafaia. Mas de um jeito tão terno que toda a raiva que você tem deles desaparece, dando lugar a uma compreensão empática que deveria ser, afinal de contas, a posição de uma mente esclarecida e dona de si.

Continue lendo em Bule Voador – Ímpio de Fábio Marton, Razões para Ler

Ao Bule, muito grato pelo apoio.

Posts perdidos

Numa mudança de servidor de dados, perdi dois posts importantes, um sobre o bule voador, outro sobre uma resenha de um leitor teísta. Apenas para ficar claro, de forma alguma eu apaguei esses posts, foi um problema técnico. Vou tentar resgatá-los.

Resenha da Sociedade Racionalista da USP

Nem tanto uma resenha, mas mais uma análise foi o que fez Gabriel Bassi, com quem participei de um debate em Ribeirão Preto:

Pode-se dividir cada capítulo em partes filosoficamente diferentes entre si. Iniciando-se do prólogo até o epílogo, nota-se o desenvolvimento do pensamento do autor ao longo dos problemas que vão surgindo em sua vida sendo um evangélico, como a adolescência e seus hormônios, o questionamento da morte e a ditadura do “porque é assim porque sempre foi assim”. O fluir do pensamento ao longo dos capítulos pode lembrar muito os diálogos filosóficos do Horácio, personagem da Turma da Mônica, devido às crises existenciais e, em parte, do saudosismo do tempo em que éramos inocentes enão percebíamos a própria hipocrisia.

Continue lendo em Sociedade Racionalista USP – Resenha do Livro Ímpio, de Fábio Marton

Nova enquete

Esta é apenas para os ateus. O quanto o ateísmo é importante para sua identidade pessoal? Isto é, você se define primariamente como ateu ou outras coisas são mais importantes, como ser esquerdista, direitista, roqueiro, fã de MPB, torcedor do Santos ou entusiasta de cosplay?

Ateísmo e política

Estou meio sem tempo para postar tudo o que tenho em mente, menos ainda para fazer mais vídeos. Mas vou comentar (e encerrar) a pergunta que pus aqui, e lá se vai um tempo. Afinal, como ateísmo e política se relacionam?

Com 125 votos, as opções ficaram assim, na ordem das mais votadas:

  1. O Estado deve ser leigo, as leis precisam ser mudadas para acabar com o favorecimento da religião (49%, 61 votos)
  2. O ateísmo é apolítico, apenas uma questão de fé pessoal (34%, 43 votos)
  3. O ateísmo influencia o pensamento político, ateus tomam decisões políticas diferentes (22%, 28 votos)
  4. Ateus são minoria perseguida e precisam se organizar para exigir seus direitos (12%, 15 votos)
  5. Algumas manifestação de religião devem ser proibidas, mas nem todas (8%, 10 votos)
  6. O ateísmo deveria ser oficial e a religião proibida (1%, 1 voto)

Pela popularidade da opção 2 e impopularidade das 5 e 6, dá para ver que a maioria ateus (ao menos os que visitam este modesto estabelecimento) são bem mais tolerantes que os crédulos costumam imaginar. Eu mesmo não votei exatamente com a maioria. Eu marquei 1, 3 e 5.

Sim, eu acho que algumas manifestações devem ser proibidas: penso em quem tenta impedir seus filhos de receber transfusões de sangue, quem pratica sacrifícios de animais e outras coisas que já existiram, mas não mais – como a obrigação da esposa de ser queimada viva com o marido no hinduísmo até o século 19. Penso isso apenas por conta das leis já existentes: não devem ser abertas isenções especiais para a religião para coisas que já são proibidas – meu voto, óbvio, na 1.

Quanto à questão 3, não acredito que ateus seguem uma ou outra denominação política obrigatoriamente. Ou eu teria de imaginar que todos os ateus são fascistas, porque Mussolini era ateu, ou comunistas, como quer Olavo de Carvalho, que acha que as mortes de Stálin e Mao podem ser creditada ao que desacreditavam (Deus) ao invés do que fanaticamente acreditavam (Marx). Apesar disso, respondi “sim” porque acredito que alguns ideais políticos são, por definição, fechados para os ateus.

A esquerda parece soar como a opção óbvia para maioria dos ateus, alguns numa esquerda mais dura, outros num liberalismo de esquerda utilitário, próxima ao Partido Democrata dos Estados Unidos. Faz sentido, quando a direita é reprensentada por gente como Olavo de Carvalho, Jair Bolsonaro ou Celso Datena, mas isso não é tudo que existe no espectro político.

Existem vários ateus “de direita” no sentido apenas econômico. Isso não é nenhum mistério, porque, afinal, a opção entre livre-mercado e economia regulada não é algo que envolve qualquer pensamento divino. Entre esses estão Penn Jilette, Steven Pinker, Luc FerryFriedrich Hayek e Milton Friedman. Esses ateus são ou foram mais ou menos liberais clássicos politicamente.

E há, para a surpresa de alguns, ateus realmente conservadores, alinhados a uma moral tradicional ou assumidamente burguesa, como Anthony Daniels, Murray Rothbard (no fim da carreira) e praticamente todo mundo que escreve para este think tank. Esses tendem a ter simpatia pela religião e religiosos moderados, mas obviamente há uma diferença entre ter opiniões políticas baseadas na percepção que tradições são boas e adotá-las por mandado divino. Christopher Hitchens é um caso bastante particular: ele continua a se considerar “marxista”, mas um marxista “extremamente conservador” que reconheceu o mérito revolucionário do capitalismo.

Imagino que essas divisões políticas costumem importar mais aos ateus que o ateísmo em si, ao menos quando eles não estão unidos em torno desse tema. Isso é a próxima enquete.

Concebendo Deus na existência

Continuação do vídeo da semana passada, discutindo o Argumento Ontológico e outras coisinhas a mais.

A explicação de Kant está simplificada. Para uma explicação fiel, eu teria de falar sobre as diferenças entre julgamentos a priori e a posteriori, sintéticos e analíticos, o que tornaria o vídeo muito técnico – ou, como deixei escapar, “filosofento” (sorry Kant).

Entrevista para a Gospel+

Depois de republicarem minha entrevista com a Vice, a Gospel+ decidiu falar diretamente comigo. Mais uma vez, a diversão não é por minha conta, mas pelos comentários dos crentes.

Em entrevista ao Gospel+, Fábio Marton rebate perguntas sobre a importância do cristianismo e assuntos atuais como a legalização da união gay, além de relatar um pouco sobre sua descrença em Deus e em religiões. Confira na integra:

Em seu livro você tece intensas críticas ao cristianismo evangélico em si. De uma forma sincera, se tornar ateu foi uma forma de se vingar de tudo que te incomodava no meio que vivia?
Não, foi apenas ser honesto comigo mesmo e com os outros, e assumir o que eu pensava.

Você já declarou em uma entrevista televisiva que é muito difícil provar que Deus realmente não existe. Então você deixou de acreditar na religião e seus representantes ou na existência de Deus?
Deixei de acreditar em Deus. Na religião, eu já não acreditava um pouco antes. Mas isso não tem a ver com “provar” que Deus não existe. A gente não deixa de acreditar nas coisas porque temos provas que não existem. Eu não preciso provar a ninguém que Papai Noel não existe. A gente deixa de acreditar em algo quando não vê mais razões para dizer que aquilo existe.

Continue lendo em Gospel+: Fábio Marton, ex Assembléia de Deus…